"Angola", diz líder da FLEC Povo de Cabinda nunca se renderá à ocupação por parte de
Alemanha
- Em entrevista exclusiva à DW África, Alexandre Tati, presidente da
FLEC / FAC (Frente de Libertação do Enclave de Cabinda / Forças Armadas
de Cabinda) acusa o Governo de Luanda de falta de vontade de paz.
Fonte: DW
O
Presidente da resistência de Cabinda, que, segundo o próprio, se
encontra "no mato, em território congolês", diz que o movimento está
"mais vivo e unido do que há uns anos" e que, neste momento, "é um
movimento unido, apoiado pela esmagadora maioria dos cabindas".
Em
entrevista telefónica concedida à DW África desde o interior da
República Democrática do Congo, Alexandre Tati conclui: "Eu sou o
presidente da FLEC / FAC que resiste no terreno neste momento."
DW África: A FLEC / FAC, o braço militar da FLEC, tem alguma capacidade militar? Quantos homens tem armados?
Alexandre Tati (AT):
Não posso dizer-lhe exatamente quantos efetivos a FLEC / FAC tem neste
momento. Digo-lhe simplesmente que a FLEC / FAC é justamente a
mobilização do povo que está a resistir neste momento no território de
Cabinda contra a ocupação angolana e contra a exploração e colonização
que o povo de Cabinda continua a conhecer até hoje no território de
Cabinda. Porque o povo quer libertar-se da escravatura, da dominação
estrangeira. É este o ideal que nos move desde a geração de Simulambuco,
passando pela geração dos anos 60, e que continua até este momento que
falo consigo.
DW África: Neste momento, o Sr. Alexandre Tati pode movimentar-se dentro de Cabinda e no território angolano ou não é possível entrar na própria província de Cabinda?
AT:
Estamos no mato e não temos qualquer liberdade de movimentação. Há
matanças e raptos de dirigentes da resistência. Há membros dos serviços
secretos angolanos que vêm ao estrangeiro, onde nos encontramos, e
compram membros de serviços secretos nesses países para poderem
perseguir os membros da resistência de Cabinda. Se até somos perseguidos
nos países vizinhos, fora de Angola, mais seremos no território sob
jurisdição do Governo angolano...
DW
África: A FLEC quer a independência total, incondicional, sem presença
angolana em Cabinda? Ou está pronta a aceitar uma solução alternativa,
como, por exemplo, a autonomia?
AT:
Nós, cabindas, dizemos o seguinte: Queremos a autodeterminação do povo
de Cabinda, queremos ser administrados pelo povo de Cabinda e para o
povo de Cabinda. Esse direito terá de ser referendado sob a égide das
Nações Unidas. Os cabindas devem poder pronunciar-se sobre se querem ser
angolanos ou se querem ter uma associação com os angolanos, ou com um
outro povo qualquer. Os cabindas deverão ter o direito de se pronunciar
livremente sobre este assunto.
DW África: Vocês têm aliados a nível internacional?
AT: O nosso maior aliado é a força da razão! O que impera atualmente no território de Cabinda é a razão da força.
DW
África: Por outro lado, o Governo de Angola continua a afirmar que não
há qualquer conflito em Cabinda e que qualquer problema que porventura
possa existir vai ser resolvido por via do diálogo...
AT:
O Governo de Luanda fala de diálogo, mas na prática só existe
intransigência política, por parte de Angola, face ao problema de
Cabinda. Não existe qualquer vontade de paz por parte de Angola. Nós não
vemos qualquer sinal, qualquer vontade de diálogo.
DW
África: O que é que pensa de personalidades como o Sr. Bento Bembe, que
fez parte da resistência dos cabindas e agora faz parte do Governo
angolano?
AT:
Bento Bembe foi um amigo pessoal. Ele esteve na resistência, conforme
afirma. Infelizmente ele negociou a sua própria rendição.
DW
África: Como avalia o trabalho de deputados de Cabinda, como o Sr. Raul
Danda, que é deputado pela UNITA? Esses deputados fazem bom trabalho?
Servem a causa dos cabindas?
AT:
São cabindas, sim senhor! Podem-se pronunciar em nome de Cabinda. E o
Raul Danda pode também fazê-lo. Mas o problema que se coloca é que essas
instituições angolanas - como a Assembleia Nacional de Angola - são
consideradas em Cabinda, pelo povo de Cabinda, como instituições que não
toleram a emancipação do povo de Cabinda. A Constituição angolana não é
favorável à emancipação do povo de Cabinda.
DW África: E como imagina o futuro do movimento independentista de Cabinda?
AT: O povo de Cabinda nunca se vai render e vai continuar a resistir!
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